Trabalhadora Ameaçada de Exoneração é Convocada pela Direção da PRODEGESP

21/07/2018

Juliane de Oliveira - trabalhadora da UFSC lotada no Departamento de Compras (DCOM/UFSC) - está desde abril deste ano sob intensa pressão da administração central. Tal pressão é advinda do modo de operação dos estágios probatórios dos Técnico-Administrativos em Educação (TAEs) na UFSC, o qual não segue o rigor da lei e, há 14 anos, possui resoluções internas específicas com ilegalidades claras em sua normatização.

O cerceamento dos direitos de Juliane, ou seja, a materialização e a síntese de 14 anos de supressão dos direitos dos TAEs da UFSC, levou à formação de comitês e movimentos de solidariedade, divulgando nacionalmente o caso e angariando apoio político1 na reivindicação do respeito aos direitos fundamentais dos trabalhadores2.

Por meio de forte pressão da categoria e do SINTUFSC conquistou-se a garantia de que o reitor Ubaldo Balthazar encaminhasse ao CUn3 a matéria, cabendo prévia análise deste conselho antes de qualquer ato administrativo. Em outras palavras, conquistamos o efeito suspensivo e Juliane - então afastada por motivos de saúde - respirou aliviada junto aos TAEs, uma vez que finalmente houve um aceno de mudança de postura da administração perante os técnicos.

Antes mesmo do retorno de sua licença para tratamento de saúde, Juliane foi convocada para uma reunião na PRODEGESP para dar ciência em seu processo de estágio probatório, com a sua direção, que foi convidada. Os TAEs desejam confiar na administração quanto ao cumprimento de sua palavra, afinal, foi com a promessa de tornar a UFSC mais humana que Ubaldo Balthazar se elegeu como reitor. Entretanto, não podemos esquecer que foi numa reunião como esta que a mesma direção da PRODEGESP exonerou Daniel Dambrowski.

Estranhamente, até o momento, a comissão de acompanhamento que negociou diretamente com o reitor não foi convidada para a reunião, da mesma forma como foi a Direção do DCOM. A atitude que denota desconsideração às reivindicações dos TAEs é reflexo de um processo de coisificação, onde os trabalhadores são considerados propriedade da administração central. Um processo arcaico e semelhante à amarga condição histórica vivenciada pelas mulheres que, compreendidas como propriedade, poderiam ser desposadas somente diante de permissão e sob ameaça de devolução. Por meio da luta dessas mulheres trabalhadoras que garantias e direitos foram e continuam sendo conquistados. É nesta luta que devemos nos espelhar enquanto trabalhadores.

Juliane de Oliveira, mulher negra, trabalhadora e mãe de duas crianças, teve a avaliação da terceira Etapa do Estágio Probatório realizada apenas pelo setor onde vivenciou condições de risco para a sua saúde e a de sua bebê enquanto amamentava, sem ser considerado o período de sua atual lotação. O DCOM, conhecendo os vícios e ilegalidades do processo, reivindica e continuará reivindicando sua participação na avaliação.

Queremos, enquanto categoria, acreditar que existirá uma mudança qualitativa com relação ao respeito das garantias e direitos dos trabalhadores da UFSC. Entretanto, não podemos desconsiderar que fomos, em diferentes momentos históricos, assemelhados à moeda de troca política. Por esta razão, precisamos estar juntos! Precisamos estar com Juliane de Oliveira na reunião a qual dará ciência em seu processo. O movimento dos TAEs deve lutar pela garantia dos direitos de Juliane e, por consequência, os de todos nós!!

#SomosTodosJuliane

Ninguém Fica Para Trás!!

1 Veja mais em https://somostodostaes.webnode.com/somostodosjuliane/

2 Conheça seus direitos em https://somostodostaes.webnode.com/l/as-garantias-fundamentais-da-ampla-defesa-ao-contraditorio/

3 Veja mais em https://www.sintufsc.ufsc.br/?p=23359